Nasceu mais um movimento democrata que faz a apologia do voto em branco (www.umrumoparaportugal.com), no seguimento do ensaio escrito pelo nosso Nobelizado que se divertiu imaginando um país em que a quase totalidade da população votava em branco.
O problema surge quando se passa da teoria à prática, do ensaio literário ao ensaio de raguebi, quando a desorientação política que serviu de pressuposto adquirido para permitir, num romance, a descrição de uma situação imaginária passa a situação fáctica existente e que motiva um cidadão comum, "no pleno uso dos seus direitos civis e políticos", a considerar como hipótese de solução a "não-solução" do voto em branco.
Não oferece dúvidas, perante ninguém, que esse cenário existe, na República Portuguesa acabadinha de chegar ao Século XXI. E também não oferece dúvidas que a República Portuguesa é capaz de se deparar com a maior percentagem de votos em branco de todas as eleições desde que o voto foi tranformado num direito dos cidadãos.
Olhando para todos os candidatos a Primeiro-Ministro (se bem que não se vota para Primeiro-Ministro, mas a praxis assim instituiu), não me sinto com coragem de me comprometer, em absoluto, com qualquer um deles, afirmando "Este é o meu candidato a Primeiro-Ministro".
E se olharmos para a questão com mais alguma distância, penso que mais de metade da população nutre o mesmo sentimento por esta classe política, o que nos abre dois caminhos: ou se vota estrategicamente, considerando o sentido provável dos restantes milhões de eleitores de modo a conseguirmos o melhor cenário possível, ou se vota em branco, porque não nos revemos em nenhum candidato, evitando assim deturpar o fim do nosso voto e futurologias de efeitos preversos.
Ainda não sei o que farei... E não me sinto desacompanhado.