2.2.05

País

Oh País, que nos viste partir para conquistar o mundo
Que nos viste subjugar o preto à força da nossa espada
Que observaste a flutuação do nosso sentimento
De Justiça
Do certo
Do errado
Oh Pátria cuja alma devíamos todos transportar
Oh Sol que tantos iluminaste,
Ilumina-nos a nós também.
Fá-los ver.
Faz-nos ver.
Voltaremos a elevar o teu Nome.
Se não o teu Nome, pelo menos o nosso nível.

1.2.05

Telegrama

Então? STOP o que tens feito pela nossa revolução? STOP ainda te lembras, certo? STOP prometemos mudar o mundo e torná-lo num lugar mais justo, não foi? STOP continuas a acreditar na falência deste modelo social? STOP ainda apregoas a distribuição igualitária dos rendimentos? STOP a miséria humana ainda te choca? STOP a indeferença dos demais, também? STOP a exploração do Homem pelo homem? STOP os asilos? STOP os orfanatos? STOP a fome? STOP diz qualquer coisa! STOP Há muito tempo que não falamos! STOP

Está tudo bem comigo! STOP lembro-me bem STOP os tempos mudaram, não foi? STOP estou mais maduro e em paz comigo STOP o mundo deve ser mais justo STOP mas que posso eu fazer, não é ? STOP acho que os salários deviam ser mais equilibrados STOP não é justo o meu supervisor ganhar mais 300 euros e fazer as mesmas funções que eu STOP aliás, quem lhe faz o trabalho sou eu! STOP pagam-me quase o mesmo que ao estafeta STOP e ele nem o 9.º ano tem STOP claro! nunca a exploração dos demais STOP a minha mulher a dias bem sabe que a trato de forma justa STOP pago-lhe mais dois euros do que o salário mínimo STOP até estou a pensar inscrevê-la, agora, na segurança social STOP tenho três filhas STOP como vês não mudei muito STOP Abraço STOP

O que é te aconteceu? STOP Que merda de homem te tornaste? STOP

Não consegui mudar o mundo! STOP Não fui suficientemente rápido STOP E ele acabou por me mudar a mim STOP Desculpa STOP

Branco sujo

Nasceu mais um movimento democrata que faz a apologia do voto em branco (www.umrumoparaportugal.com), no seguimento do ensaio escrito pelo nosso Nobelizado que se divertiu imaginando um país em que a quase totalidade da população votava em branco.
O problema surge quando se passa da teoria à prática, do ensaio literário ao ensaio de raguebi, quando a desorientação política que serviu de pressuposto adquirido para permitir, num romance, a descrição de uma situação imaginária passa a situação fáctica existente e que motiva um cidadão comum, "no pleno uso dos seus direitos civis e políticos", a considerar como hipótese de solução a "não-solução" do voto em branco.
Não oferece dúvidas, perante ninguém, que esse cenário existe, na República Portuguesa acabadinha de chegar ao Século XXI. E também não oferece dúvidas que a República Portuguesa é capaz de se deparar com a maior percentagem de votos em branco de todas as eleições desde que o voto foi tranformado num direito dos cidadãos.
Olhando para todos os candidatos a Primeiro-Ministro (se bem que não se vota para Primeiro-Ministro, mas a praxis assim instituiu), não me sinto com coragem de me comprometer, em absoluto, com qualquer um deles, afirmando "Este é o meu candidato a Primeiro-Ministro".
E se olharmos para a questão com mais alguma distância, penso que mais de metade da população nutre o mesmo sentimento por esta classe política, o que nos abre dois caminhos: ou se vota estrategicamente, considerando o sentido provável dos restantes milhões de eleitores de modo a conseguirmos o melhor cenário possível, ou se vota em branco, porque não nos revemos em nenhum candidato, evitando assim deturpar o fim do nosso voto e futurologias de efeitos preversos.
Ainda não sei o que farei... E não me sinto desacompanhado.