8.7.05

London's Burning

Bang, Bum, Bam, Puff... Ahhh, Arghhh...choro e gritos. Pânico.
11h17m, Hassam já está num café de Edgware Road, sentado, a fumar e a ler um livro. à sua frente 4 mulheres olham para a televisão. Os véus escondem as suas expressões. Horror, regozijo?
11h42m, Hassam continua a fumar, cigarro atrás de cigarro. Pega em pequenas porções de tabaco preto e envolve-as com uma mortalha amarelada. Junta-se-lhe Abu al-Madh. Pede um chá e fuma narguilé. Olham fixamente um para o outro. Hassam acena afirmativamente com a cabeça e Abu inspira profundamente.
11h58m, Abu mexe, pensativo, no seu bigode negro. Pega no jornal e lê. Na sua cabeça continuam a ecoar as palavras "please, mind the gap between the train and the platform". Hassam, mais descontraído, fita os transeuntes.
12h25m, Gregory atravessa o bairro de Edgware Road, olhando desconfiado os milhares de muçulmanos que aí residem. Para si, todos são suspeitos.
13h04m, William Hamza, filho de país paquistaneses, estudante universitário de filosofia, senta-se na mesa com Hassam e Abu. Como de costume, hoje levantara-se às 7h30m. Vestiu-se e tomou o pequeno almoço. Pegou na sua mochila e às 8h15m partiu em direcção à faculdade. Saíu na estação de metro de Liverpool Street e deixou a sua mochila por baixo do banco de uma das carruagens que se dirigia para Aldgate.
14h39m, Agustín Maizteguí, estudante basco, militante do Herri Batasuna, encontra-se em Gleneagles nas manifestações contra o G-8. Empunha um cartaz que fizera horas antes com as suas latas de spray: "Mr. Blair, please mind the cultural gap between muslims and europeans".
16h53m, José Dias, professor de biologia, assiste à emissão televisiva e na sua cabeça um só pensamento persiste: "Não há fuga possível. Onde será o próximo?"
16h53m, milhares de portugueses recordam a cimeira das Lajes. Na foto de família surgem Bush, Blair, Aznar e Barroso...E.U.A., Reino Unido, Espanha e...Portugal.
17h46m, vem-me à memória um cartaz do Bloco de Esquerda "Eles mentem, eles perdem.". Não, penso para comigo, "Eles mentem, nós perdemos".

6.7.05

Parlamento

O País está em baixo. Estamos a descer pelo cano.
E ainda assim a discussão do orçamento rectificativo continua a ser uma coisa pior do que jogar à bolacha: estão todos a espancar o macaco a ver quem dispara primeiro. Assim que um dispara, os outros batem palmas.
Em lugar de se discutir seriamente a rectificação, estão todos mais preocupados em apontar os dedos uns aos outros. Da esquerda para a direita e da direita para a esquerda.
Valeu-nos Honório Novo que se limitou a dirigir questões ao Ministro das Finanças.
E eis que lá vem o Louçã, novamente com informações internas sobre o Banco Totta. Será que algum dos administradores dessa instituição é íntimo do Xico? E será que ainda não percebeu que ele não consegue guardar um segredo (tipo gaja)?

Desvaneçam-se as dúvidas...

...Que o Zé Magalhães (infezlimente, nosso governante), é mesmo tótó (isto, para não ofender):
Procurando seguir as pisadas da Ana Drago (que na noite das eleições referiu termos assistido a uma "virança" à esquerda), o Zé hoje, não só previu um novo tipo de crime (e aparentemente, um tipo aberto), como também uma palavra nova - crime estradal.
O que é, não sei.
Onde ele o foi buscar, também não.
Só sei que já não tenho dúvidas mesmo nenhumas...

5.7.05

Estamos safos!

Pessoal, vamos todos sair da crise. Isto não é uma promessa.
Vamos sair da crise em TGV ou nos aviões que vão sair da OTA.
Parabéns a nós.
Funcionários públicos deste país, alegrem-se, que não vamos ficar afastados da rede de alta velocidade europeia.
Vamos todos contribuir para esse grande esforço nacional.
De caminho, a autoestrada para Bragança vai ficar pronta. Assim será mais fácil ir ao "Brasil".
Agora digam lá: estamos bem entregues ou não?

Tendências perigosas

Topei hoje uma tendência que não parece boa.
Já várias vezes tinha ouvido falarem em privilégios e em direitos dos trabalhadores, principalmente quando estes o eram na função pública.
É verdade que podem existir alguns privilégios injustificados. Agora, por ex., falar em idade de reforma, congelamento das progressões e outras coisas que tais e fazer essa colagem a privilégios, isso é que não.
Não tenho muitas dúvidas que é daquele tipo de medidas que pretende fazer incutir em todos os que não são funcionários públicos a ideia de que estes são uns beneficiados, que a vida está boa é para eles e, dessa forma, limitar efeitos de solidariedade entre o resto dos portugueses e os funcionários públicos.
Se a máquina do Estado é pesada, não me parece que a culpa seja do excesso de funcionários ou agentes da Administração Pública. A culpa é, sim, de quem os deixou entrar. De quem não os sabe gerir ou organizar. De quem não pretende decidir como os redistribuir por serviços que, em muitos casos, estão deficitários de trabalhadores e que, em função disso mesmo, prestam mau serviço público.
Em lugar de governar pela negativa, tendo como primeira medida a imposição de correntes mais apertadas, este PS, socialista de nome, devia procurar encontrar soluções positivas.
É disso exemplo dar a possibilidade de professores com elevado grau de incapacidade para exercer sua profissão se poderem requalificar e, dessa maneira, ingressarem noutra carreira do regime geral. Mas haverá outras.
É preciso é trabalhar, que foi para isso que foram eleitos.

3.7.05

Eureka

Finalmente descobri o segredo da Revolução!
Mas sou um gajo que respeita os segredos dos outros, por isso...

Desespero!

Abri a porta e encontrei-te deitado.
Os teus dentes estavam trinta centímetros depois da mancha formada pelo acumular do fio de sangue que saía da tua boca.
Fiquei fora de mim!
Quem é que te fez isto?!
Será que fui eu?