23.6.05
21.6.05
14.6.05
O CAVALO BRANCO
Estas notícias que anunciam morte fazem-me sempre recuar à caixa de recordações de infância. Um baú estanque, que permanece inalterado face à persistência do tempo e à insistência irritante do esquecimento. É uma caixa velha, de madeira, que tenho bem guardada e que de vez em quando ou de quando em vez lá se abre e assusta-me com passagens que julgava esquecidas.
Lembro-me do meu avô. Curiosamente tinha o mesmo nome do pai do novo célebre morto. Lembro-me dos serões passados nas terras do Douro, na sua casa, verdadeiramente sua, que construiu apoiado num tosco esboço do meu pai. Diziam que o rapazola tinha jeito para o desenho. O projecto da cozinha é que não convenceu a minha avó que depressa substituiu o lugar por uma sala de estar e de jantar. Nunca a conheci mas sei, por fotografias, que tinha o mesmo olhar do meu pai.
Do meu avô lembro-me bem. Felizmente pude conviver com ele durante largos anos até que a doença, irremediavelmente estúpida, resolveu acompanhá-lo até à nossa despedida na cama do hospital. Não tenho por hábito recordar os "adeus" e os "até à próxima" mas lembro-me bem dessa despedida, do último aperto de mão, da sua última súplica para que não o largasse. Nunca me pediu socorro, estava só a despedir-se com a serenidade e bravura que sempre o caracterizaram...mas estava assustado. Pela primeira vez, senti-o com medo.
Não acredito em quem diz não ter medo da morte. Se o diz, fá-lo por inconsciência ou falta de concretização dessa realidade absoluta. Pensei sempre que o meu avô não teria...O célebre morto afirmou, doze anos antes, que não receava a tal senhora vestida com um lençol e até fez uma analogia com a ausência de medo dos cães da sua filha. No seu intímo, quando a sentiu bafejar junto à sua nuca, aposto que o temor se apoderou de si e, se pudesse, viveria os anos necessários até ver o seu sonho concretizado: o fim da exploração do Homem pelo homem.
Recuo até uma noite quente na década de oitenta, na sala do meu avô, abençoada com uma televisão a cores, no tempo em que naquelas terras a TVE se apanhava com maior nitidez do que a RTP. Lembro-me das primeiras imagens que guardo de Álvaro Cunhal. Cabelo branco, tal como a camisa, e umas sobrancelhas proeminentes. Recordo a forma como o meu avô se referia a esta figura fascinante: O cavalo branco! Durante anos, sempre que aparecia aquela figura na televisão, o meu avô dizia com ar trocista: "olha o cavalo branco!". Obviamente, o meu avô nunca foi comunista e não sentia especial apreço por essa ideologia, pelo contrário.
Curioso é que tinham mais em comum do que alguma vez o meu avô suspeitaria. Sempre que Cunhal aparecia na televisão a lembrança do meu avô surgia automaticamente.
Confesso que aquela primeira recordação do dirigente comunista ficou-me gravada na memória para sempre e, desde então, exerceu sobre mim um profundo fascínio, integrando aquele colectivo de recordações de infância que constituem o nosso imaginário mítico, onde se torna difícil distinguir os factos da ficção.
Porquê não sei mas é um facto que nunca disse ao meu avô o quanto ele me lembrava o Álvaro Cunhal. Tinham a mesma força, a rara inteligência que os movia na prossecussão dos seus objectivos, certo que em dimensão e universos distintos, que julgo até nem se tocarem.
Provavelmente, o meu avô não apreciaria que eu estabelecesse esta espécie de paralelismo entre duas figuras que me marcaram e impressionaram profundamente. Era um homem simples, que gostava mesmo era do campo e que dos tempos de polícia guardava só a disciplina que, em vão, me tentava incutir. Certamente não só por isso, mas também porque não gostava mesmo nada do Cavalo Branco.
Mas a verdade é esta: o meu avô marcou-me de forma ímpar, como os bons avós fazem, numa dimensão humana, familiar, ensinando-me os valores da rectidão, honra, ambição (num bom sentido de querer mais da vida), até mesmo da solidariedade - de uma forma peculiar - mas, acima de tudo, deu-me amor. O Dr. Cunhal revelou-se um bom exemplo daquilo que o meu avô tentava transmitir, mesmo sem saber que, desde aquela noite quente da década de oitenta, tinha o exemplo perfeito daquilo que, na sua concepção, o neto deveria procurar ser.
Eram muito parecidos, nem que fosse só pelas sobrancelhas...
Lembro-me do meu avô. Curiosamente tinha o mesmo nome do pai do novo célebre morto. Lembro-me dos serões passados nas terras do Douro, na sua casa, verdadeiramente sua, que construiu apoiado num tosco esboço do meu pai. Diziam que o rapazola tinha jeito para o desenho. O projecto da cozinha é que não convenceu a minha avó que depressa substituiu o lugar por uma sala de estar e de jantar. Nunca a conheci mas sei, por fotografias, que tinha o mesmo olhar do meu pai.
Do meu avô lembro-me bem. Felizmente pude conviver com ele durante largos anos até que a doença, irremediavelmente estúpida, resolveu acompanhá-lo até à nossa despedida na cama do hospital. Não tenho por hábito recordar os "adeus" e os "até à próxima" mas lembro-me bem dessa despedida, do último aperto de mão, da sua última súplica para que não o largasse. Nunca me pediu socorro, estava só a despedir-se com a serenidade e bravura que sempre o caracterizaram...mas estava assustado. Pela primeira vez, senti-o com medo.
Não acredito em quem diz não ter medo da morte. Se o diz, fá-lo por inconsciência ou falta de concretização dessa realidade absoluta. Pensei sempre que o meu avô não teria...O célebre morto afirmou, doze anos antes, que não receava a tal senhora vestida com um lençol e até fez uma analogia com a ausência de medo dos cães da sua filha. No seu intímo, quando a sentiu bafejar junto à sua nuca, aposto que o temor se apoderou de si e, se pudesse, viveria os anos necessários até ver o seu sonho concretizado: o fim da exploração do Homem pelo homem.
Recuo até uma noite quente na década de oitenta, na sala do meu avô, abençoada com uma televisão a cores, no tempo em que naquelas terras a TVE se apanhava com maior nitidez do que a RTP. Lembro-me das primeiras imagens que guardo de Álvaro Cunhal. Cabelo branco, tal como a camisa, e umas sobrancelhas proeminentes. Recordo a forma como o meu avô se referia a esta figura fascinante: O cavalo branco! Durante anos, sempre que aparecia aquela figura na televisão, o meu avô dizia com ar trocista: "olha o cavalo branco!". Obviamente, o meu avô nunca foi comunista e não sentia especial apreço por essa ideologia, pelo contrário.
Curioso é que tinham mais em comum do que alguma vez o meu avô suspeitaria. Sempre que Cunhal aparecia na televisão a lembrança do meu avô surgia automaticamente.
Confesso que aquela primeira recordação do dirigente comunista ficou-me gravada na memória para sempre e, desde então, exerceu sobre mim um profundo fascínio, integrando aquele colectivo de recordações de infância que constituem o nosso imaginário mítico, onde se torna difícil distinguir os factos da ficção.
Porquê não sei mas é um facto que nunca disse ao meu avô o quanto ele me lembrava o Álvaro Cunhal. Tinham a mesma força, a rara inteligência que os movia na prossecussão dos seus objectivos, certo que em dimensão e universos distintos, que julgo até nem se tocarem.
Provavelmente, o meu avô não apreciaria que eu estabelecesse esta espécie de paralelismo entre duas figuras que me marcaram e impressionaram profundamente. Era um homem simples, que gostava mesmo era do campo e que dos tempos de polícia guardava só a disciplina que, em vão, me tentava incutir. Certamente não só por isso, mas também porque não gostava mesmo nada do Cavalo Branco.
Mas a verdade é esta: o meu avô marcou-me de forma ímpar, como os bons avós fazem, numa dimensão humana, familiar, ensinando-me os valores da rectidão, honra, ambição (num bom sentido de querer mais da vida), até mesmo da solidariedade - de uma forma peculiar - mas, acima de tudo, deu-me amor. O Dr. Cunhal revelou-se um bom exemplo daquilo que o meu avô tentava transmitir, mesmo sem saber que, desde aquela noite quente da década de oitenta, tinha o exemplo perfeito daquilo que, na sua concepção, o neto deveria procurar ser.
Eram muito parecidos, nem que fosse só pelas sobrancelhas...
7.6.05
Tenham medo
..."Será chuva, será gente,
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim"
Fui ver: era a puta da Constituição Europeia a morder os caules a todos os que pensavam que o povo é estúpido.
Agora, fodam-se.
Mandem o Barroso para a Sibéria juntamente com o Destaing e todos os outros rotos que pensavam que a manipulação ainda era possível.
É preciso ser-se mental...atrasado mental...
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim"
Fui ver: era a puta da Constituição Europeia a morder os caules a todos os que pensavam que o povo é estúpido.
Agora, fodam-se.
Mandem o Barroso para a Sibéria juntamente com o Destaing e todos os outros rotos que pensavam que a manipulação ainda era possível.
É preciso ser-se mental...atrasado mental...
Dix it
"Não se esqueçam que o Hitler era vegetariano e provavelmente nem gostava de touradas".
Rui Zink.
Apesar de gordo e anafado, vejam só que o homem mantém a sua mordaz ironia.
Rui Zink.
Apesar de gordo e anafado, vejam só que o homem mantém a sua mordaz ironia.
O Democrata-Cristão volta a atacar
Aí está ele! Pronto para as curvas. Não é só ao Deputado-Poeta que ninguém cala. Eis que o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal voltou a dar uma ferroada.
Qual puto irreverente (tendência registada em todos os candidatos da segunda volta daquelas presidências fantásticas que, depois de velhotes, optam por dizer o que lhes dá na real gana - ou gana republicana, para os mais idiotas), não é que o homem veio dar a sua opinião pessoal sobre a Constituição Europeia?
Fantástico. Melhor que isto, só o Rei D. João, da Madeira, a chamar nomes aos cubanos que somos todos nós, só porque em determinados momentos perguntamos: mas porque é que a Madeira é Portugal?
Mais uma bota para o Zé Filósofo descalçar.
Em grande Freitas!
Terá sido ouvido a dizer o que já ouvi de uma boca próxima do petiz: "Eu sou o Freitas do Amaral e estou aqui para fazer-vos mal!"
Qual puto irreverente (tendência registada em todos os candidatos da segunda volta daquelas presidências fantásticas que, depois de velhotes, optam por dizer o que lhes dá na real gana - ou gana republicana, para os mais idiotas), não é que o homem veio dar a sua opinião pessoal sobre a Constituição Europeia?
Fantástico. Melhor que isto, só o Rei D. João, da Madeira, a chamar nomes aos cubanos que somos todos nós, só porque em determinados momentos perguntamos: mas porque é que a Madeira é Portugal?
Mais uma bota para o Zé Filósofo descalçar.
Em grande Freitas!
Terá sido ouvido a dizer o que já ouvi de uma boca próxima do petiz: "Eu sou o Freitas do Amaral e estou aqui para fazer-vos mal!"
6.6.05
Descoberto Democrata-Cristão!
Afinal de contas o Freitas sempre se mantém fiel à sua família política originária e não vira a cara aos seus princípios de vida (excepto no que toca às presidenciais).
Não é que o Senhor Professor veio dar a cara pelos colegas das Finanças e das Obras Públicas? Ele que suspendeu a quase totalidade da subvenção de que benificiava, por ter sido deputedo, veio agora solidarizar-se com os coleguinhas, dizendo que eles se encontram em situação conforme à lei. Ainda aproveita para nos dar uma ensaboadelazita sobre a diferença entre o estado democrático e o totalitário, como que legitimando o que está moralmente errado.
É certo que os senhores ministros estão em conformidade com a lei. Exactamente da mesma maneira em que está errado o Primeiro ao dizer que os direitos merecem ser acautelados, mas que as expectativas não. Aliás, essa tinha sido uma inovação do Manual do Professor, mas que parece ter sido esquecida entretanto.
Vem então o FA por-se entre o pelotão de fuzilamento e os fuzilandos. Fica-lhe bem, mas só realça a diferença entre condutas de um e de outros. No fundo acaba por apenas fragilizar a posição dos pobres (ricos) coitados que não seguiram o seu exemplo.
Obrigado Freitas, por mais esta brilhante participação.
P.S. - Não percebi por que razão o FA já não apoia expressamente o Cavaco. Ainda há uns tempos era o seu candidato. Agora já não é, como não será nenhuma da esquerda... É independente ou não é? Juro que não percebo.
Não é que o Senhor Professor veio dar a cara pelos colegas das Finanças e das Obras Públicas? Ele que suspendeu a quase totalidade da subvenção de que benificiava, por ter sido deputedo, veio agora solidarizar-se com os coleguinhas, dizendo que eles se encontram em situação conforme à lei. Ainda aproveita para nos dar uma ensaboadelazita sobre a diferença entre o estado democrático e o totalitário, como que legitimando o que está moralmente errado.
É certo que os senhores ministros estão em conformidade com a lei. Exactamente da mesma maneira em que está errado o Primeiro ao dizer que os direitos merecem ser acautelados, mas que as expectativas não. Aliás, essa tinha sido uma inovação do Manual do Professor, mas que parece ter sido esquecida entretanto.
Vem então o FA por-se entre o pelotão de fuzilamento e os fuzilandos. Fica-lhe bem, mas só realça a diferença entre condutas de um e de outros. No fundo acaba por apenas fragilizar a posição dos pobres (ricos) coitados que não seguiram o seu exemplo.
Obrigado Freitas, por mais esta brilhante participação.
P.S. - Não percebi por que razão o FA já não apoia expressamente o Cavaco. Ainda há uns tempos era o seu candidato. Agora já não é, como não será nenhuma da esquerda... É independente ou não é? Juro que não percebo.
2.6.05
E agora Barroso?
José Manuel foi visto esta semana a tratar do passaporte. Não se trata de ir passar férias com um "amigo" a quem a Comissão deu dinheiro. Trata-se de conseguir visto para o Kiribati - terá sido convidado para presidir à Comissão dos Pescadores de Chicharro.
Em causa está, não o défice português, mas o avassalador NÃO com que a Europa está zurzir a "Constituição".
É verdade que ainda só se pronunciaram dois países, mas esses países são a França e a Holanda, o que não deixa de ser significativo.
Se por um lado era bom que as francesas que não se lavam e não se rapam deixassem de fazer parte da Europa, por outro lado era negativo que algumas das holandesas seguissem esse caminho...
Vai Barroso, que a gente cá chora por ti.
Um grande abraço deste, sempre teu...
Em causa está, não o défice português, mas o avassalador NÃO com que a Europa está zurzir a "Constituição".
É verdade que ainda só se pronunciaram dois países, mas esses países são a França e a Holanda, o que não deixa de ser significativo.
Se por um lado era bom que as francesas que não se lavam e não se rapam deixassem de fazer parte da Europa, por outro lado era negativo que algumas das holandesas seguissem esse caminho...
Vai Barroso, que a gente cá chora por ti.
Um grande abraço deste, sempre teu...






